Izabel Goulart conta que não deu ouvidos quando uma astróloga lhe disse que 2010 seria seu ano. “Pensei ‘isso é papo dela, todas falam’, mas 2010 foi mesmo meu ano”, afirma. A top, de 26 anos, não tem do que reclamar sobre seus últimos meses: passou a ser reconhecida profissionalmente no Brasil e não só no exterior, trabalhou com Xuxa de quem foi baixinha na infância e foi convidada para substituir Madonna na nova campanha da Dolce & Gabanna.
Em entrevista exclusiva concedida, a top, natural de São Carlos, no interior de São Paulo, falou durante cerca de uma hora sobre as dificuldades que enfrentou no início da carreira, o sucesso, o carinho que sente por Gisele Bündchen, solidão e vida amorosa.
Como começou na carreira de modelo?
Izabel Goulart: Na verdade, nunca escolhi ser modelo. Entre os 10 e 12 anos de idade, apareciam aqueles concursos na cidade e minha mãe gostava que eu participasse. Eu gostava de ver que estava lá para conquistar um objetivo, achava engraçado estar com as meninas e participar daquilo tudo. Participei de três concursos em São Carlos, mas nunca ganhei. Só ganhava como Miss Simpatia, acredita? (risos). Nos três concursos que participei só ganhei o Miss Simpatia, que era o quarto lugar. Queria o primeiro. Era uma frustração e decidi parar.
E como retomou?
IG: Quando tinha 17 anos estava no supermercado fazendo compras com a minha mãe e nisso um olheiro se aproximou e perguntou se era modelo. Disse que não. Ele perguntou se eu gostaria de ser e respondi: “Não, imagina. Não tenho jeito para isso”. Em função da faixa de Miss Simpatia, achava que não tinha jeito. Questionei sobre o que era ser modelo. Ele disse que eu teria a chance de viajar o mundo todo, participar de editoriais, passarela. Quando ele falou que eu viajaria o mundo todo, veio a minha curiosidade e eu falei “quero ser modelo”.
No começo, enfrentou muitas dificuldades?
IG: Passei um ano em São Paulo e aos 18 anos fiz minha primeira viagem para Paris. Fiquei seis meses direto lá. O começo não foi nada fácil. Viajei sem falar francês, nem inglês. Minha maior dificuldade foi ficar longe da família, tenho muitos irmãos e sempre moramos juntos e, do nada, saí de casa. Foi muito difícil a comunicação. Quando eu estava sozinha, memorizava como falar algumas coisas, apontava. Na terceira semana, percebi que gestos e mímicas não davam mais e fui estudar inglês. Durante o dia fazia meus testes e, à noite, pegava o CD, livros. Aprendi na rua, na raça.
QUEM: E quando percebeu que não desistiria?
IG: Com o passar dos anos, fui pegando cada vez trabalhos mais legais, mas nunca falei “quero ser modelo porque eu realmente gosto de estar nessa vida glamourosa, de estar em revistas, em lugares bacanas”. Meu reconhecimento internacional foi quando assinei com a Victoria’s Secret em 2004. Trabalhei por cinco anos como exclusiva com eles.
QUEM: Você abriu mão do contrato?
IG: Ainda tenho um contrato, mas não mais exclusivo. Foi uma opção porque estava me frustrando por não poder participar de novos projetos. Trabalho pra eles durante alguns dias do ano, mas posso participar de outras campanhas, semanas de moda internacionais. Fiz o desfile da Dolce & Gabanna, em Milão, e o da Gyvenchi, com exclusividade, em Paris.
Já enfrentou preconceito por ser modelo?
IG: Preconceito, não. Mas muitas pessoas não levam a sério. Ser modelo não é só o glamour de estar nas melhores revistas, melhores festas, melhores viagens. Modelo não é só o rostinho bonito. Modelo é uma profissional. Tenho hora para acordar, dormir, tenho que saber trabalhar em equipe. Viajo sozinha Fico muito tempo sozinha, triste, longe da minha família. É muito momento de solidão. Essa solidão pega muito. A gente pode estar indo para lugares lindos, maravilhosos, mas não tem com quem compartilhar.
Izabel e o namorado: top se emocionou ao ganhar cachorrinha Harlow de presente de aniversário
Você falou sobre solidão, saudade da família. Você mora em Nova York e seu namorado em São Paulo. Como fazem para driblar a distância?
IG: Até hoje nunca senti distância entre nós dois. Eu e Marcelo [Costa, empresário] estamos juntos há quatro anos e meio. Temos uma relação encantadora. Deus me deu a chance de eu ter uma pessoa legal, centrada, que entende minha carreira e aceita, porque às vezes nem eu aceito o ritmo que é a minha carreira. Ele é uma pessoa fantástica. Quando tenho minha agenda livre, é para ele que eu venho, fico com ele e a minha família. Quando sei vou ficar mais de um mês sem conseguir vir, o Marcelo me encontra no meio do caminho ou ele vai para Nova York. Sempre fizemos funcionar. Distância não existe para quem ama, o que existe é saudade.
E planos de casar e ter filhos?
IG: Desde que me conheço por gente, penso em casamento e filhos (risos). Sempre quis. Mas com essa carreira, o difícil é falar a hora. Nas minhas orações para Deus, eu falo: “Papai do Céu, providencie na hora certa uma criança saudável para mim, que eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo, mas me perdoa que esse ano não vai ser a minha escolha”.
Você se casaria escondida?
IG: Não entendo quem faz isso, sabia? Sou tão tranqüila com a mídia. Vai ser uma coisa minha, mas respeito o trabalho dos jornalistas. Não tenho uma data. Não paro de trabalhar e o Marcelo também. Cada vez mais, graças a Deus. Sou muito devota aos meus relacionamentos a ponto de dizer que sou casada. Vivo a relação como se fosse um casamento. Respeito ele, faço tudo por ele, gosto de faze-lo sorrir, surpreende-lo. Um papel e uma igreja não são votos de felicidade para ninguém.
Já fez alguma loucura amorosa por ele?
IG: Várias (risos). Eu tinha duas semanas seguidas de trabalho. Estava em Nova York e iria para Cingapura. Eu tinha somente sete horas e meia no Brasil. Peguei o avião e vim ficar apenas sete horas e meia com ele. Eu fiz isso e foi a melhor coisa que eu fiz. Passei sete horas e meia com ele no hotel ao lado do aeroporto, namorei bastante.
Considera sexo fundamental para um relacionamento?
IG: Sexo é uma palavra que não existe para mim. Sou mais a favor do amor. Quando a gente ama, tem várias maneiras de sentir prazer. Sexo para mim não é tudo.
Fora do trabalho, você consegue dispensar o glamour?
IG: Não uso maquiagem na minha casa e quando não estou trabalhando. Estou sempre com rabicó, cabelo preso. Quando não estou trabalhando, deixo preso para nem sentir que tenho cabelo. Passo muito tempo maquiada por conta do trabalho, mas em casa eu sou a Izabel do dia a dia. Não sou a Izabel Goulart, sou só a Izabel.
Como você se sente na posição de jurada fixa do concurso Menina Fantástica?
IG: Vou te falar que não foi fácil. A primeira etapa foi bem complicada para mim. Tive que aprender a separar o emocional do profissional. Naquele momento veio flashback de como comecei e não queria que as meninas tivessem a impressão que estava tirando o sonho delas. Na segunda etapa, me preparei melhor. Vi que estou ajudando. Toda modelo tem que passar por dificuldades para poder crescer. Também passei por muitas. Já levei muito não e fui muito rejeitada até ter meu trabalho reconhecido.
Izabel em uma das apresentações do Monange Dream Fashion Tour realizadas neste ano
Você nota que ficou mais conhecida no Brasil por conta do seu Twitter ou do Monange Dream Fashion Tour?
IG: Foi uma soma. Antes, eu não estava tão disponível para o Brasil. Minha prioridade sempre foi lá fora. Com a minha não-exclusividade para a Victoria’s Secret, eu fiquei mais disponível. O Monange Dream Fashion Tour permitiu que a gente viajasse por todo o Brasil e estou sendo muito mais reconhecida. As pessoas na rua me param, querem saber do meu trabalho. No Twitter, tenho um canal de comunicação. Resisti um pouco, mas tinha uns fakes que postavam coisas que davam a impressão de que “nossa, essa Izabel se ama” e eu não sou assim. Sou a pessoa mais despojada que pode existir.
Pelo Twitter, você sempre fala com Ana Beatriz Barros e Alessandra Ambrosio. A relação de amizade fica só no mundo virtual ou estão sempre juntas mesmo?
IG: Nós três somos infalíveis, 'as três mosqueteiras'. De perto ou de longe, por BBM, por telefone, email, Twitter. A gente se comunica por 24 horas. Eu amo essas minhas amigas. Estamos sempre juntas.
E com a Gisele Bündchen? Tem contato?
IG: A Gisele é incrível. É uma pessoa que me deu uma super força para que entrasse na Victoria’s Secret. Trabalhei muito com ela. A Gisele foi um amor. Ela me chamava para ficar no trailer com ela, batíamos muito papo. Ela foi super camarada, foi conversar com os CEO’s da Victoria’s Secret e dizer que a próxima garota seria eu. Sempre falo: “Gisele, toda vez que eu te ver eu quero te agradecer. Foi um momento especial na minha vida". Além de ela ser uma das melhores modelos do mundo, foi muito bacana ver uma modelo como ela reconhecer o meu trabalho. Mas, agora, vemos esporadicamente.
Vestida de Branca de Neve (à dir.), Izabel posa com Ana Beatriz Barros (à esq.) e Alessandra Ambrosio (centro)
Pense em seguir a carreira de atriz?
IG: Nunca pensei, mas meus caminhos estão direcionamento para isso. Não vejo barreiras. Adoro aprender, acho que tudo é possível. Recebi uma proposta para fazer o seriado “Mad Men” e a Heidi Klum quer que seja jurada do programa dela [Project Runaway].
E quais são suas atrizes preferidas?
IG: Amo Charlize Theron, essa mulher faz qualquer tipo de personagem. Adoro o jeito despojado da Julia Roberts, ela é mulherão e também é a mulher que acorda sem maquiagem e de rabo de cavalo. Das brasileiras, adoro a Gloria Pires. Acho ela demais. O filme que ela fez com o [Tony] Ramos é incrível. Os filmes brasileiros são ótimos. Precisam ser mais valorizados. Adoro os nossos artistas.
É verdade que você é noveleira?
IG: Adoro novelas. Esse é meu passatempo. Quando estou do outro lado do mundo e não consigo dormir por causa do fuso horário, eu assisto aos capítulos porque assino a globo.com. Em “Passione” estou nos capítulos de setembro.
Bjus a Todos....

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