sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Verão 2011 antecipado.

O calendário nacional de moda começou antes este ano, com os lançamentos para o verão 2011 do Rio Senac Fashion Business, na Marina da Glória, Rio de Janeiro. São 220 grifes e mais 50 empresas no salão paralelo dedicado à tecnologia do comércio de moda. O evento, que começou dia 17 e vai até o dia 21 de maio, contará com 12 desfiles especiais – entre eles, Carlos Miele, Patrícia Viera, Santa Ephigênia, Bum Bum, Drosófila, Francesca Romana Diana e Victor Dzenk. ELLE mostra os destaques para você.

 

 Carlos Miele

Pegada punk-chic
Vestida com um microshort black jeans, T-shirt toda rebordada com miçangas e colete com ombreira cheia de apliques metalizados e franjas de correntes, a bad girl Alice Dellal abriu o desfile da coleção Resort 2011 que Carlos Miele lançou ontem no Jóquei Club do Rio de Janeiro. Logo a seguir, vieram os minivestidos de cetim de seda, de tafetá e de chiffon que fazem a delícia de quem gosta de looks de festa despudoradamente sexy. Sim, é preciso ter pernas impecáveis e corpinho idem para segurar os vestidinhos drapeados que marcam a silhueta como uma segunda pele. Com cores vibrantes – fúcsia, roxo, verde-esmeralda, azul –, os minivestidos e as microssaias não economizaram nos bordados, nos paetês, nas miçangas, nas correntes e nos metais. Mas havia também as versões para coquetel, mais clássicas e com o comprimento mais perto do joelho, que apostavam em geometrias e assimetrias para sair da mesmice. E, é claro, os longos impecáveis, que têm tudo para aparecer nos tapetes vermelhos hollywoodianos. Na paleta de referências de Miele há um certo perfume dos anos 1920, principalmente nos bordados art nouveau e na arquitetura de determinadas peças. Mas a principal fonte foi mesmo a década de 1970, quando as celebridades ferviam na pista do Studio 54, em Nova York. Tudo com releituras contemporâneas e afinadas com o life style brasileiro.

Patrícia Viera

Clássicos de couro
O melhor da coleção de Patrícia Viera para o verão 2011 é que nada tem a cara ou a textura do couro e, ao mesmo tempo, tudo tem o conforto e o caimento que só esse material proporciona. A maestria no trato da matéria-prima, aliada ao estilo clean e corte impecável, faz com que as peças da designer tenham a durabilidade dos bons clássicos. Contando com o auxílio luxuoso da família na passarela do salão nobre do Jóquei Clube carioca – a sobrinha jet-setter Alice Dellal e a irmã-celebrity Andrea Dellal que há mais de 25 anos não desfilava –, Patrícia mostrou que está cada vez mais afiada na sua arte. Os cardigãs de tricô feitos com tira de couro, os ponchos de macramê com o ponto bem aberto, os macaquinhos larguinhos com print jeans delavê, as camisetas de couro navalhado, as saídas de praia vazadas, as calças estilo sportswear, enfim, tudo tinha cara de “quero mais”. Mas foram os vestidinhos curtos, sequinhos (prés du corps) e com um acabamento mais que perfeito que deram o tom do próximo verão. Não dá para não ter um no armário. Idem para os biquínis de couro hidrofugado (resistente a água), para as túnicas e para os vestidos de cintura marcada. Resumindo: uma aula de elegância e bom-gosto.






Santa Ephigênia

Clima onírico e com gosto de aventura
Só faltou a cesta de piquenique. De resto, estava tudo lá. O clima impressionista, os tons pastel, as modelagens amplas e confortáveis, os tecidos fluidos em contraponto à textura rústica do linho, os chapéus inspirados em bromélias viradas do avesso – enfim, o verão 2011 criado por Luciano Canale para a Santa Ephigênia é uma viagem onírica e campestre. Inspirado nas aquarelas feitas por botânicos da expedição Langsdorff, que percorreu mais de 16 mil quilômetros do interior do Brasil nos anos 1820, o estilista desenhou uma coleção sob medida para quem está na contramão do look supersexy. Dos vestidões de corte evasê aos tubinhos e cardigãs, tudo, absolutamente tudo, tem gosto de aventura. Daí a alfaiataria pouco estruturada dos casaquetos (quase boleros) e dos spencers de linho ou de anarruga, com detalhes/recortes criando curvas ou falsas anquinhas para valorizar a silhueta feminina. E, ainda, a opção pelo estilo setentinha das pantalonas de cintura marcada, das bermudas de corte reto e tecido brocado indiano, das camisas de organza com prints florais, dos vestidos-tubinho com aplicações do avesso de tecidos indianos, das saias construídas com camada de tecidos fluidos como a organza, a musseline e a seda e dos cardigãs bicolores levinhos e extralongos. O toque luxuoso fica por conta das pedrarias transparentes aplicadas sobre tubinhos de linho, criando um efeito orvalho, e dos chapéus inspirados em bromélias feitos por Denis Linhares. O verão de Canale é radiante, mas com uma vibe de paixão pela natureza. Em tempos ecologicamente corretos, nada mais fashion.




Victor Dzenk

Vestidos fluidos com clima de solte suas asas
O mineiro Victor Dzenk não esconde de ninguém que adora uma festa. Para o verão de 2011, ele mergulhou de cabeça nos anos 1970, com suas discotecas, cabelões desfiados encaracolados, maquiagem over e colorida e, é claro, jumpsuits, hot pants, pantacourts, pantalonas pata-de-elefante, macaquinhos e vestidos-túnicas – tudo muito sexy e com muito brilho, paetês, cores vibrantes (laranja, amarelo, verde flúor, esmeralda, turquesa e pimenta), prints gigantes de asas de borboletas e tecidos transparentes e fluidos como seda, organza e jérsei. Os vestidinhos de coquetel têm duas vertentes: os drapeados com efeito moulage e correntes douradas e os modelos estruturados com recortes vazados nos corselets e decotes pontiagudos que criavam assimetrias e lembravam as criações futuristas de Thierry Mugler nos anos 1980. Um pequeno set de saias cones e pantalonas de cintura alta feitas com um rústico linhão de seda foi o contraponto perfeito ao espírito embalo de sábado à noite da coleção, que tinha ainda um lado meio lingerie, meio boudoir, no qual quimono esvoaçantes e com fendas abissais deixavam à mostra maiôs e biquínis de modelagem comportada. As sandálias eram um escândalo à parte – no bom sentido, é claro. Altíssimas e assinadas por Angelita Feijó e Bárbara Bovareto, elas remetem às pistas de patinação, aos blocos Lego, daí as tiras entrelaçadas, as tachas e as multiplataformas.

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